
"Ainda pior que a convicção do não
e a incerteza do talvez
é a desilusão de um quase.
É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase morreu está vivo,
quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos
leva a escolher uma vida morna;
ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância e
frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia"quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta
coragem até para ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece,
o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor,
sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo
no meio termo, o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados e o
arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio que cada um
traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas
estejam ao alcance, para as coisas
que não podem ser mudadas
resta-nos somente paciência porém,
preferir a derrota prévia à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração
vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo
ou indolor não é romance.
Não deixes que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfia do destino e acredita em si.
Gaste mais horas a realizar do que a sonhar,
a fazer do que a planear,
a viver do que a esperar porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu."
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( LUÍZ FERNANDO VERÍSSIMO )
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Certa vez eu li essa linda mensagem num recorte de jornal, acho que eu tinha uns 15 anos... numca me esqueci destas ricas palavras... anos mais tarde eu venho a viver uma vida "quase"...e me pergunto.. onde está o recorte de jornal que há anos eu tinha guardado? Eu havia me esquecido de como era bom viver uma vida Certa*, nada de quase*...
Cansei disso. O Fabricio uma amigo meu tinha razão... pra que se trancar dentro do próprio coração? Se não arriscar jamais vai saber.. e vai estar perdendo a chance de ser feliz. Valeu fabricio, valeu veríssimo por me lembrarem disso... mesmo que sem querer..
Dedico essa linda mensagem para todos aqueles que, como eu um dia, "quase vivem".
Acordem!!!
(paula leao)




